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Por Eduardo Gurian, jornalista, com pós-graduação em Marketing e Negócios Internacionais e experiência na gestão de comunicação tanto na área público como privada. Professor universitário, já escreveu diversos artigos sobre o tema de Comunicação.
Os números mais recentes sobre matrículas na Educação Infantil exibem um cenário objetivo nas regiões de Campinas e Jundiaí. Holambra, Pedreira e Vinhedo apresentam o melhor desempenho que une creche (zero a três anos) e pré-escola (quatro a cinco anos). No entanto, embora Vinhedo e Holambra alcancem 100% no atendimento de crianças de 4 a 5 anos, os índices de atendimento de crianças em idade de creche, ainda que sejam os maiores da região e do Estado, não contemplam a todos, segundo o novo indicador de atendimento escolar em nível municipal para a Educação Infantil, divulgado no dia 29 de abril, desenvolvido pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), em parceria com as fundações Bracell, Itaú, VélezReyes+ e Van Leer, além do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O levantamento cruza dados do Censo Escolar com projeções do IBGE e o que aparece na região acompanha o padrão nacional: 81% dos municípios brasileiros não chegam a 60% de atendimento em creches, enquanto 16% ainda não atingem 90% na pré-escola. Para a faixa de quatro a cinco anos, o cenário parece resolvido em várias cidades. Mas basta incluir a creche na análise para a realidade mudar. É nessa etapa que aparecem os principais limites de estrutura, investimento e planejamento.
Essa diferença não ocorre por acaso. Ela está ligada à forma como a gestão usa os dados disponíveis. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo reforça esse ponto há anos com o IEGM, ao avaliar se a política existe e se ela funciona na prática. Na educação, isso passa por estrutura e acesso real.
O debate não é isolado. Os indicadores dialogam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial sobre a qualidade do ensino e a redução das desigualdades. A falta de vagas em creches trava a renda, o emprego e a rotina familiar.
Os dados ajudam a entender padrões. Municípios que equilibram creche e pré-escola possuem mais planejamento e continuidade administrativa. Onde há diferença grande entre as duas etapas, surge um sinal claro de que algo precisa de correção. Investir na primeiríssima infância é uma decisão estratégica. É nesse período que o retorno é maior para a educação, para a economia e para a própria qualidade de vida da população.
Essa discussão ganha relevância com o avanço das leis no Brasil. A Primeira Infância, que compreende o período de zero a seis anos, é a fase mais determinante para o desenvolvimento humano. É nela que se formam as bases do aprendizado, da saúde e da convivência social.
O Marco Legal da Primeira Infância (Lei 13.257/2016) consolidou esse entendimento ao estabelecer diretrizes claras para as políticas públicas, com prioridade absoluta às crianças, conforme a Constituição Federal. A legislação organiza a atuação do poder público em áreas como saúde, educação, assistência social e até o direito ao brincar e a proteção contra a violência.
Dentro desse contexto, novas iniciativas buscam transformar o conceito em prática. Um exemplo é o Prêmio Plano Municipal pela Primeira Infância, promovido pelo Tribunal de Justiça em conjunto com o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. A proposta reconhece e incentiva municípios que executam políticas consistentes.
A iniciativa funciona como um motor de boas práticas, que estimula o planejamento e o compromisso com resultados. Os municípios passam por avaliações e podem receber selos que vão do bronze ao diamante.
O projeto reforça uma mudança na gestão pública: a valorização de políticas estruturadas e orientadas por evidências. No fim, os números indicam o caminho. A combinação entre análise de dados e foco na primeira infância define a qualidade da gestão e o futuro das próximas gerações.



